Há muito, muito tempo, cerca de 10000 anos atrás, o arroz começou a sua viagem desde o sudeste asiático até à Índia, à China e ao Japão.

Existem várias versões sobre a origem das primeiras culturas de arroz, embora, entre os historiadores, a mais popular assinale a China como o primeiro país em que se desenvolveu a cultura deste cereal, apesar de reconhecerem que foi na Índia onde primeiro foi encontrado na sua forma selvagem.

Tudo começou na China, nos férteis vales dos rios Huang Ho e Yang-Tse Kiang, antes do século XV a.C. Sabe-se agora que o arroz foi cultivado em Hunan a partir dos anos 8200-7800 a.C., graças ao resultado das análises com Carbono 14 realizadas a grãos de arroz em tigelas descobertas em escavações situadas em Pengtou Xiang. Já antes se tinham encontrado provas da cultura do arroz anteriores a 6000 a.C. na província de Zhejiang, próximo de Hangzhou.

À conquista do mundo, «grão a grão»

O desenvolvimento das diversas rotas comerciais partindo da Ásia para outras partes do mundo propiciou a expansão da cultura, dado que o próprio grão foi utilizado como moeda de troca. O arroz chegou aos países mediterrânicos 350 anos antes do nascimento de Jesus Cristo. Já no século IV a.C. a sua cultura estava muito difundida na Mesopotâmia, graças aos intercâmbios comerciais que o rei persa Dario estabelecera com a China e a Índia.

Os gregos e os romanos também o conheceram, mas mais como planta medicinal que como alimento. Na obra “Dez livros de cozinha” de Apicius, refere-se a fécula de arroz como mistura para ligar um molho. Foi a partir da bacia do Eufrates e do Tigre que os árabes o introduziram, lá pelo século VIII da nossa era, nas costas espanholas. Com efeito, a procedência do nome, tal como o conhecemos hoje, provêm da palavra de origem árabe “ar-rozz”.

Depois de os árabes o terem implantado em Espanha e, dali, em toda a Europa, o arroz continuou o seu caminho e atravessou o Atlântico, para ser introduzido no continente americano pela mão de Cristóvão Colombo na segunda metade do século XVI. O seu prestígio na Europa foi tal, que, nuns escritos de cozinha francesa, se menciona um arroz doce de amêndoas e canela que o rei Luís ofereceu a S. Tomás de Aquino durante um banquete.

Independentemente das histórias que se podem contar sobre o arroz, bem como do interminável esforço que exige para a sua cultura, o seu progresso não abranda e na actualidade ainda continua a fazer história. É em 1912 que uma empresa arrozeira revoluciona o mercado, lançando a primeira embalagem de arroz, dirigida ao consumidor com o peso de um quilo, desta forma chegando a todos os lares do mundo. Hoje em dia, cultiva-se em mais de 42 países. E, como reconhecimento da sua vital importância e da sua trajectória histórica e humana, a ONU proclamou 2004 como o Ano Internacional do Arroz (Resolução 57/162 de 28 de Janeiro de 2003). A sua história faz com que, dia a dia, muitos possam contar a sua própria.